domingo, dezembro 10, 2006

Inter pega Al Ahly

Na manhã deste domingo o Internacional ficou sabendo quem enfrentará na semifinal do Mundial de Clubes da Fifa. Trata-se do Al Ahly, do Egito, que venceu, como esperado, os neo zelandeses do Auckland City por 2 x 0 , com gols de Flavio, aos seis minutos e Aboutrika, de falta – lembrando o gol de Raí na final do Mundial de 1992 contra o Barcelona –, aos 28, ambos na etapa final. Com o resultado, o Auckland vai disputar o 5º lugar com o perdedor do Jeonbuk, da Coréia do Sul, e o América do México. Já o Al Ahly pega o Inter na próxima quarta-feira, 8h20.

O jogo foi pífio tecnicamente, como também já era aguardado. O Auckland é um time semi-amador e tem apenas o porte físico como algo positivo. Só que isso apenas não ganha jogo. Com apenas dois atletas com poderio ofensivo e liberados para atacar, os sul-africanos Jordan e Young foram presas fáceis para a defesa egípcia, que, mesmo assim, se complicou em alguns momentos, cedendo contra-ataques para a equipe da Oceania.

O Al Ahly foi soberano em toda a partida, controlando-a da forma como achava melhor. A posse de bola indicou bem isso: 65% para a equipe egípcia e 35% para o Auckland. No entanto, não foi uma superioridade massacrante. O time do técnico Manuel José, amigo do Abel Braga, sofreu com a pouca criatividade de seus jogadores de meio-campo, dependendo unicamente do trio ofensivo formado pelo meia Aboutrika, destaque da última Copa Africana de Nações, e pelos avantes Emad e Flávio, este último vindo de Angola, autor do gol daquele país na Copa do Mundo desse ano, no confronto contra o Irã e artilheiro do campeonato egípcio com 9 gols.

Esses três jogadores foram os destaques da partida, com Flavio, o centroavante típico, saindo bastante da área para confundir a marcação, enquanto Aboutrika criava as jogadas e penetrava na área para receber as bolas, o mesmo fazendo Emad, que também tinha a oportunidade de chutar em gol, apesar de não fazê-lo com categoria. El Shater, quando acionado, era boa opção pelo lado direito do Al Ahly. Engraçado, porém, que, mesmo com essa qualidade destacada do ataque egípcio, as chances criadas não foram tantas, principalmente no primeiro tempo. No total no jogo, foram 8 chutes a gol do Al Ahly e 2 do Auckland.

Vale apontar o que foi comentado pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho, na transmissão feita pela ESPN Brasil, de que o Al Ahly joga muito enfiado pela faixa central do ataque. E que essa pode ser uma facilidade para o time colorado, já que os africanos não costumam atuar com freqüência pelos flancos do campo.

Em suma, acredito que o Inter não terá grandes dificuldades com seu adversário. Basta ter cuidado com o trio ofensivo citado aqui. Me preocupa – e essa é uma reflexão mais voltada a possível finalíssima com o Barcelona – o fato de haver somente Edinho e Wellington Monteiro para a marcação, já que Alex e Fernandão, para mim, podem até compor o meio, fechar o setor, mas não têm características decisivas de defesa. Por outro lado, esse quarteto ofensivo dos gaúchos com Alex, Fernandão, Iarley e Alexandre Pato, pode passar como um rolo compressor sobre os egípcios.

Basta não repetir o erro do São Paulo em 2005, quando recuou após fazer 1 x 0 sobre o Al Ittihad, tendo tomado o tento de empate. Jogar com autoridade, mostrando quem é o melhor time, sem deixar de atacar, sem deixar-se levar pela pressão de ter que vencer o adversário que é inferior tecnicamente, são os caminhos para que o Internacional chegue à disputa da final.

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