quarta-feira, janeiro 10, 2007

Seleção sub-20 preocupa mais do que enche os olhos

Os dois primeiros jogos da Seleção Brasileira sub-20 no Sul-americano da categoria que está sendo disputado no Paraguai mostram esperança e preocupação quanto à possibilidade desta equipe alcançar o título e buscar as 2 vagas para as Olimpíadas de Pequim em 2008 (a Conmebol decidiu de última hora, em dezembro, que o torneio viraria também um Pré-Olímpico), além das 4 vagas para o Mundial sub-20 que ocorre em junho.

Esperança porque há bons valores. Alexandre Pato é o grande destaque, como Anderson, ex-Grêmio, o foi há dois anos. Talvez mais promissor. O volante Lucas é outro bom nome, assim como Leandro Lima, do São Caetano, e o lateral esquerdo Carlinhos, do Santos. Luiz Adriano, inacreditavelmente reserva na seleção, é outra qualidade na equipe. Não são muitos, mas têm resolvido as falhas na defesa, o fraco Amaral, do Palmeiras, a ineficácia da dupla de ataque formada por Edgar (Edgol?) e Fabiano Oliveira, do Flamengo.

Mas a preocupação mesmo vai para inconstância do time em campo. Há momentos que a apatia e a preguiça tomam conta dos garotos e nada funciona. Ou seria a soberba? Depois do 3x1 contra o Chile, que o adversário fez o segundo e quase complicou, sobrando para Pato liquidar a fatura com o quarto gol, e após a tirada de pé com o primeiro gol no jogo contra o Peru, acredito que deva ser isso mesmo. Pois, a cada toque na bola, chapéu, firula, três dedos, a equipe parece se perder em campo, meio que se poupando ao acreditar que poderá marcar o segundo, terceiro, quarto, a qualquer momento, porque são os melhores. E olha que o time nem é tudo isso. Como já disse, há bons jogadores. Ponto. E essa calmaria arrogante quase levou o time a empatar com o destemido Peru.

Será que o renomado técnico Nélson Rodrigues será capaz de controlar isso, que, para mim, é o grande problema dessas seleções menores e, como vimos na última Copa do Mundo, costuma ser até do time principal? Antes de querer se mostrar para os milhares de empresários e observadores europeus que caçam talentos nesse sul-americano, por que não jogar um pouco coletivamente, vencer os jogos, garantir o título e, conseqüentemente, as vagas disputadas, para mostrar, aí sim, todo o seu valor técnico e dar espetáculo para a torcida? Isso poderia ser muito mais produtivo no fim das contas. Esperemos que essa situação não se repita dia 13, na próxima atuação da seleção canarinho, contra a Bolívia.

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