A Taça Libertadores da América, considerada a mais difícil dos últimos anos, chega em sua fase de mata-matas com confrontos bastante interessantes, indo de encontro a essa tese. Destaco os dois clássicos nacionais entre campeões continentais: Grêmio x São Paulo e Vélez Sarsfield e Boca Juniors. São 11 Libertadores juntando essas quatro equipes. Serão embates duríssimos, típicos da competição em questão.
Mas também há outras batalhas, caso da encarniçada luta entre América x Colo Colo e Necaxa x Nacional, jogos entre tradicionais times do torneio contra os poderosos mexicanos, que vêm, a cada ano, mais fortes.
As demais partidas têm cara, em princípio, de menor equilíbrio. Apesar que, não dá para cravar um favorito em jogos como Libertad x Paraná e Toluca x Cúcuta. Já Flamengo x Defensor e, principalmente, Santos x Caracas, não deve haver grandes dificuldades, dada a fragilidade de duas equipes que tiveram campanhas pífias e que estarão frente a times com bom trabalho nesse certame, caso dos dois brasileiros.
Vamos então, a uma análise jogo a jogo, projetando quem pode passar às quartas de final da competição:
Santos x Caracas
Seguindo pela ordem dos confrontos, comecemos pelos jogos entre a melhor e a pior campanha da fase de grupos da competição. O Santos, que venceu seus oitos jogos até aqui - contando com os da fase priliminar, quando os santistas encaçaparam o frágil Blooming - é amplo favorito. O único senão é a viagem do primeiro jogo, logo após a partida de ida da finalíssima do Paulistão, fato que pode desgastar o elenco peixeiro. E, caso ocorra o desastre do time de Vanderlei Luxemburgo perder o torneio regional, pode abalar um pouco a estrutura do clube. Mas tudo isso seria num cenário bem pessimista, pois aposto que o Santos passe fácil e com duas vitórias pra cima do Caracas, que só se classificou este ano, pois o River Plate fez campanha ridícula em sua chave. O Santos tem um bom caminho para avançar na Libertadores.
Flamengo x Defensor Sporting
Aqui eu não acredito em grande zebra. O Flamengo, apesar de não ter um time estável e de ter pego um grupo muito fácil na fase anterior, deve passar com certa tranqüilidade pelo adversário uruguaio, que pouca tradição tem no campeonato e fez uma campanha fraca na outra fase, quase sendo desclassificado na última rodada pelo Gimnasia Y Esgrima, faltando somente um gol para os argentinos levarem a vaga. A única coisa que não me garante duas vitórias nesse confronto, nem, por conseguinte, uma passagem fácil, é uma certa intuição, ocasionada pela falta de confiança em relação à equipe de Ney Franco, em que o Flamengo pode sofrer algum revés nessas partidas. Mas, mesmo assim, eu cravo os brasileiros nas quartas. Se vai ser moleza ou não, vai depender do desempenho dos atletas dentro das quatro linhas. Pois o Defensor dificultou a vida para o Santos antes, mas não foi soberano perante os demais adversários.
Libertad x Paraná
O confronto da aberração (proporcionada pelo empate do São Paulo frente ao Audax) pode parecer uma incógnita, por conta dos dois times não terem lá grande projeção na Libertadores. Porém, a boa campanha de 2006 dos paraguaios - que foram eliminados na semifinal pelo atual campeão Internacional - e a estréia dos paranaenses me fazem crer que os comandados de Zetti não passarão pelo Libertad, que tem uma boa equipe, acertada no meio campo, com alguns atletas de qualidade. A chance do Paraná é fazer o resultado no primeiro jogo, na próxima quirta-feira, para que não tome sufoco em Assunção. Mesmo assim, cravo no Libertad como adversário de um argentino na próxima fase. Quem sabe, com um empate fora e uma vitória no seu estádio.
Toluca x Cúcuta Deportivo
Esse confronto tem tudo para ser interessante. Apesar de estreantes e nada expressivos no torneio sul-americano, Toluca e Cúcuta apresentaram bom futebol na fase de grupos e podem fazer jogos bacanas de serem assistidos. Aposto nisso. Até por este comentário, não faço a mínima idéia de quem possa passar para as quartas. O veloz Toluca se mostrou um pouco instável, ao perder de goleada para o Cienciano, em Cuzco. Mas foi poderoso ao bater o Boca em seu estádio, de forma traqnüila. É a típica instabilidade dos times mexicanos. Já o Cúcuta empatou com todo mundo no seu grupo. Porém, venceu as duas últimas partidas da fase (Grêmio em casa, 3 x 1, e Deportes Tolima fora, 4 x 3) e levou uma vaga que parecia do Tolima ou do Cerro Porteño. Equipe com bom toque de bola no meio, o Cúcuta costuma cadenciar o jogo e tem na sua torcida que lota o estádio, um fator relevante na disputa. O estádio do Toluca parece de um time inglês, compacto e próximo ao gramado, a torcida também comaprece e faz barulho intenso. Já que é para cravar em alguém, vou considerar o fator casa-segundo-jogo como preponderante para o Toluca levar a melhor. Mas faço isso sem nenhuma convicção. O Cúcuta me cheira a Once Caldas-2004.
Necaxa x Nacional
Jogaço. Apesar de o Necaxa não ser uma baita equipe, acredito que fará bom papel nas oitavas de final. Ttem um time interessante na frente, liderado pelo ótimo Kléber, e conta com a disante Aguascalientes para ferver o caldo dos uruguaios (foi péssima essa, admito). No entanto, eu aposto no Nacional, que apresentou um futebol razoável e conseguiu se classificar no grupo da morte, eliminando o atual campeão sul-americano e mundial. Outro fator que pode decidir é o acanhado estádio que o Nacional tem sediado seus jogos. Ali a pressão é constante, parece o estádio do Nacional de São Paulo melhorado. Aposto em duas partidas eletrizantes, com decisão ocorrendo nos minutos finais, ou em lances polêmicos, típicos na Libertadores. Acho que a experiência, catimba e costume dos uruguaios em disputar o torneio devem prevalecer sobre mais um mexicano estreante. Mas não será nada fácil. A vaga deve sair no saldo de gols ou nos pênaltis.
Vélez Sarsfield x Boca Juniors
Clássico é clássico. E vice e versa. Diria um grande jogador de futebol. E esse não deverá ser nada amistoso. para mim, o Boca é favorito sob todas as circunstâncias. Pela goleada no último jogo da fase de grupos, 7 x 0 sobre o Bolívar, mostrando toda a força do time de Maradona; pela tradição da equipe na competição;, por ter vencido recentemente o mesmo Vélez por 3 x 1, no Clausura; por não tremer na hora H como o Vélez tem tremido nos últimos anos na Libertadores (ano passado foi claro, teve e melhor campanha, empatou fora com o Chivas nas quartas e perdeu a vaga em casa, com uma derrota fácil para os mexicanos). O fato do Vélez jogar a segunda em casa não deve mudar muita coisa, afinal, duas partidas do Boca nessa Libertadores foram no José Amalfitani: 32 x 0 sobre o Toluca e o 7 x 0 em questão, da última quarta. Tudo vai depender mais de qual Boca entrará em campo: o das primeiras rodadas, que apanhou de todo mundo e ganhou jogos na bacia das almas (caso da vitória contra o Cienciano, em Córddoba, por 1 x 0 na estréia, com gol no fim do jogo) ou se o time tradicional, que assusta na Libertadores e que massacrou os bolivianos (isto também deve ser ponderado, era o Bolívar o oponente). Aposto mais na qualidade de Palacios, Riquelme, Palermo e demais, que deram uma sumida nesse torneio. Está na hora de aparecer e, nada melhor que isso ocorrer no mata-mata. Cravo Boca Juniors, mas em partidas memoráveis, com placares impossíveis de serem previstos.
Grêmio x São Paulo
Outro clássico de matar torcedor do coração. O surpreendente empate dos paulistas frente o Audax proporcionou esse encontro épico já nas oitavas. Pior para os brasielrios, que dificilmente verão uma finalíssima tupiniquim em 2007 e devem ter muitas de suas equipes eliminadas logo de cara, em confrontos entre si. Afinal, quem passar daqui pode pegar o Flamengo nas quartas, caso este passe pelo Defensor. Mas, falando do jogo, a tradição das duas equipes impede que se coloque um favorito nessa decisão. O tricampeão mundial contra o bicampeão sul-americano mostram credenciais que impedem qualquer projeção inicial. Até porque, quando a bola rola dentro de campo, crises e problemas ficam para trás e qualquer um pode vencer. Apesar disso, o momento gremista é muito melhor. Classificado para as finais do Gauchão com um resultado incrível (4 x 0 sobre o Caxias, após ter perdido a primeira por 3 x 0), além de ter obtido a vaga às oitavas na última rodada, com um resultado e jogo típicos de Libertadores, 1 x 0 sobre o Cerro, o Grêmio vem embalado para retomar o caminho do prestígio internacional. O São Paulo, por seu turno, vive, ao que parece, uma queda natural para aqueles que ficam no topo por algum tempo. Muitos dos atletas que chegaram depois das conquistas sentaram nesses louros e não acham necessário correr atrás de fazer a própria história. E agora reclamam da torcida que começou a pegar no pé, por não sentir mais a pegada dos anos anteriores. Tudo que é necessário par a competição e para os confrontos contra os gaúchos. Além disso, o desgaste com o teimoso Muricy Ramalho, que é bom no trienamento, mas péssimo em leitura de jogo, é forte na diretoria. O ambiente não anda bom, mas, nada melhor que um clássico desses para apagar qualquer incêndio. Acredito que o Grêmio leva essa, instaurando uma crise sem precedentes no Morumbi. No entanto, quem passar (e o São Paulo tem chance pelo tamanho que possui), não conseguirá com facilidade. Acredito num empate e num placar mínimo no outro jogo. Se for nos pênaltis, não ficarei surpreso.
América x Colo Colo
Outro jogo bacana de Libertadores. O inconstante América, que pode conseguir o impossível e permitir o imponderável enfrenta um Colo Colo que tem boas peças em seu elenco, mas que sofre de preguiça e de má preparação física, principalmente de seu artilheiro, o gordito Suazo. Jogo de difícil prognóstico, porque, se o América tem suas proezas para o bem e para o mal, o Colo Colo foi líder de pior campanha, vencendo três jogos e perdendo outros três, se classificando por ter vencido as duas partidas diante do inexpressivo Caracas, sendo uma delas no último minuto, e a outra, de goleada. Caso as duas equipes consigam dar tudo de si nesses dois jogos, creio num bom embate e no fator campo decidindo a favor do América, que atua a segunda em seu terreno. No entanto, é complicado cravar para um lado ou para o outro, afinal, são dois times imprevisíveis. Mesmo assim, fico com o América (sem grande convicção, diga-se), já que o Colo Colo sofre com mexicanos, vide o que ocorreu na final da Copa Sul-Americana do ano passado, quando o Pachuca conseguiu o título pra cima dos chilenos.
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