As semifinais da Libertadores serão interessantes, mesmo não sendo históricas. Se por um lado temos dois bicampeões da competição, Grêmio e Santos, do outro, temos um estreante, o Cúcuta Deportivo, e um pentacampeão da competição, Boca Juniors. Os confrontos épicos ficarão no campo desta vez, com jogos duríssimos e de difícil prognóstico.
Santos x Grêmio
O fator casa tem sido fundamental para o Grêmio avançar na competição. No entanto, essa será a primeira decisão fora de seus domínios. Os gremistas passaram pela fase de grupos necessitando de uma vitória, no Olímpico, sobre o Cerro Porteño. Conseguiram. Nas oitavas, precisavam meter 2 x 0 no São paulo, já que haviam perdido a primeira no Morumbi por 1 x 0. Marcaram dois e passaram. Nas quartas, tinham, de qualquer jeito, fazer ao menos dois para levar a decisão para os pênaltis. Dito e feito e classificação garantida nas penalidades. Dessa vez, a segunda partida será fora, na Vila Belmiro, o que pode dificultar a vida gaúcha. No entanto, o Santos não tem enchido seu estádio nem na competição sul-americana, se classificou com um pouco de sorte ao não enfrentar adversários qualificados (o América que eu pensei que faria número jogou a fase com uma equipe reserva, abrindo caminho para os braisleiros) e conta apenas com seu estádio acanhado para auxiliar o bom time e técnico Luxemburgo a conseguirem algo. Pra mim, o Santos é favorito, pois joga melhor, tem Zé Roberto para resolver e Luxemburgo que, com uma modificação na equipe, decide o futuro de um jogo. O Grêmio, por mais esforçado que seja, ainda é uma equipe muito limitada, a bola parada na zaga é um exemplo, e não deve fazer frente, em dois jogos, com os santistas. Mas como os gremistas são copeiros e criou-se a mística na imprensa de que a equipe pode tudo (devido às últimas viradas "impossíveis" na história do clube), torcedores e jogadores acreditaram tanto nisso que começaram a fazzer alguma diferença no desenrolar das partidas. A tradição do Grêmio nessa competição pode falar alto na hora H. Mesmo assim, acredito que dessa vez, Luxemburgo passe pela pressão de não ter vencido ainda uma Libertadores.
Boca Juniors x Cúcuta Deportivo
Tradição x juventude. Pegada x qualidade. Esse confronto vai ser dos melhores, pois coloca frente a frente uma equipe plenamente acostumada à decisões, mas que vêm capengando na Libertadores, com uma equipe inexperiente no torneio, mas que cresce na hora certa e com um futebol de encher os olhos. Sem a costumeira irresponsabilidade dos colombianos no jeito de jogar, o Cúcutavem derrubando adversário por adversário sem se preocupar com a camisa do outro lado. Foi assim com o tradicional (não na Libertadores) Toluca, com o campeoníssimo Nacional e, agora, como prova de fogo definitiva, o principal bicho-papão da Libertadores no século 21: Boca Juniors, que, se tem passado de fase no sufoco (a classificação diante do Libertad é um exemplo, sem falar na fase de grupos, quando, dos três jogos fora, perdeu dois e empatou um), tem atletas fantásticos que podem decidir a qualquer momento, como Riquelme, Palacios 9que não está bem) e o artilheiro Palermo, que, se perde pênaltis, na área é só rolar pra ele e correr para o abraço. Pelo futebol apresentado até aqui, eu, sinceramente, vou torcer para o Cúcuta, pois, numa Libertadores, jogar com a consciência e a qualidade que eles têm demonstrado, um futebol vistoso, é raro ver. Contudo, creio que a experiência e catimba argentina, aliada ao fato do segundo jogo ser em Buenos Aires, devam ser preponderantes para o sucesso boquense, que chega favoritíssimo a levar o sexto caneco e se aproximar do Independiente, que tem sete.
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