O Boca Juniors não tomou conhecimento do Grêmio e aplicou 5 x 0 nas duas partidas da finalíssima e se sagrou campeão da Taça Libertadores 2007. No jogo de ida foi 3 x 0 no estádio de La Bombonera, na capital do tango. Na volta, no último dia 20, os brasileiros não viram a cor da bola novamente e perderam por 2 x 0. Foi a maior diferença de gols da história da competição em um mata-mata decisivo.
Foi a sexta conquista para os boquenses, sendo o segundo maior ganhador da história, perdendo apenas para o rival Independiente, que tem sete. Foi a quarta taça da competição em sete anos, tendo as outras vitórias ocorrido em 2000, 2001 e 2003 – as primeiras em 1977/78. Com este feito, o Boca também alcançou 16 troféus internacionais, se consolidando como a equipe que mais tem campeonatos deste tipo no mundo.
Nem tão avassalador assim
Apesar de tudo isso, ao contrário das conquistas anteriores, o Boca não tinha uma equipe forte no conjunto, com uma defesa segura, um meio campo fantástico e um ataque arrasador. O goleiro Caranta nunca passou confiança, a dupla de zaga não é das melhores, o meio campo não é um primor na marcação e o ataque sofreu com a atuação apagada da revelação Palacios, tendo apenas o experiente (e mediano) Palermo para completar de cabeça os cruzamentos na área.
Contudo, tinha a qualidade e a magia do meio-campista Riquelme, que veio emprestado pelo Villareal, da Espanha, apenas para disputar o torneio sul-americano e recolocar a equipe de Buenos Aires de volta ao topo do mais importante campeonato das Américas. E foi o que fez. Nos momentos em que mais precisou do astro amado pelos inchas do Boca, ele apareceu, principalmente nas duas partidas finais, com três gols e duas assistências. Outro fator preponderante para o triunfo foi a experiência. Além de Riquelme Palermo, Ibarra, Clemente Rodriguez e Battaglia já haviam sido campeões da Libertadores pelo Boca.
Do outro lado, o Grêmio, repleto de histórias de superação para contar, com oponentes complicados na lista de derrotados e com toda a mística da imortalidade da camisa tricolor. Com atletas de qualidade, mas pouco poder ofensivo, o que uma hora iria fazer muita falta e fez nos dois confrontos. A verdade é que o time gaúcho foi muito longe, principalmente se lembrarmos que, há dois anos, o Grêmio estava na Série B do Brasileirão.
Finais
No primeiro confronto, em Buenos Aires, o Grêmio até atuou direitinho na fase inicial, atrás, impedindo os avanços do Boca, mesmo este tendo aberto o placar, numa falha dupla: da zaga, que só olhou, e do assistente, que não marcou impedimento. Mas, no segundo tempo, os argentinos foram pra cima e, ajudados com a justa expulsão do volante Sandro Goiano no primeiro terço da etapa derradeira, os xeneizes destruíram o Grêmio com um 3 x 0 impensável.
A torcida acreditava para a volta que seria possível inverter um placar pela terceira vez na competição, depois de virar sobre São Paulo, Defensor e segurar o Santos na Vila Belmiro. Mas, o Boca é o Boca, por mais pouco informativo que isso possa ser. Entretanto, é futebol, e o inexplicável e o aparentemente óbvio dizem muita coisa.
O time que tem as cores da bandeira sueca manteve uma postura magistral em Porto Alegre. Barrou as investidas do adversário, marcou na frente e foi ao ataque a hora que quis, fazendo os gols nos momentos certos, enterrando toda e qualquer possibilidade do Grêmio tentar alguma coisa. Não que os gaúchos tivessem tentado algo. Os jogadores pouco fizeram para reverter essa jornada, parecendo já saber que o impossível não ia se repetir. Não desta vez. Afinal, do outro lado também estava um time que transforma tudo em possível.