domingo, dezembro 03, 2006

Reflexões sobre a Série C

Retomando este espaço eu gostaria de falar sobre o desfecho da Série C do Campeonato Brasileiro. O Grêmio Recreativo Barueri (que atingiu 23 pontos) conquistou a última vaga restante ao superar o Ferroviário do Ceará por 3 a 0, na noite desta quarta-feira, no estádio Palestra Itália, em São Paulo. O campeão desta divisão de acesso foi o Criciúma, que atingiu 30 pontos, tendo o Vitória como vice-campeão (com 25) e o Ipatinga como terceiro colocado, com 24 pontos ganhos. Além da equipe cearense, ficaram de fora o Treze da Paraíba, o Brasil de Pelotas e o Bahia.

É preciso dar os parabéns para o Criciúma, que, depois de cair duas vezes em dois anos seguidos, da série A para a C, conseguiu se recuperar rapidamente e volta à série B, precisando, agora, dar o próximo passo que é montar um time competitivo para retornar à elite do futebol.

O mesmo ocorre com o Vitória, que se recuperou da campanha fraca no início do torneio, bem como no começo do octogonal final e buscou sua vaguinha. Mas a goleada sofrida para o Criciúma por 6 x 0 na penúltima rodada revela a fragilidade da equipe, que precisará de uma verdadeira revolução para retomar o caminho da série A.

O Ipatinga me impressiona de subir apenas agora, pois tem disputado o campeonato mineiro melhor até do que o América local fez nos últimos 20 anos, chegando a título e vice-campeonato nas duas últimas temporadas, além de bons papéis na Copa do Brasil. Apesar do fim do convênio com o Cruzeiro e do início de um convênio com o Flamengo (que pode mais prejudicar do que ajudar), acredito que os mineiros deverão figurar entre os quatro classificados em 2007. Uma pena no quesito tradição, camisa, torcida, já que ainda falta expressão para tal equipe, mas, organização, estrutura e dinheiro estão mais à frente de nome nos dias de hoje.

O mesmo pode se dizer do Barueri que, em seis anos de profissional, obteve cinco acessos no Estado de São Paulo (em 2007 estréia no balaio de gatos do Paulistão, com 20 times, feito especificamente para abrigar clubes que apóiam à Federação, meio que o Brasileiro de 1979, com mais de 100 times, recuperando o jargão da ditadura militar vigente na época: “Onde o Arena [partido dos generais] vai mal, um time no nacional”, mas isso é papo pra outra coluna) e agora sobe, da mesma forma relâmpago que o São Caetano, mas para a Série B.

Me preocupa um time sem torcida, financiado pela prefeitura local, querendo espaço. A história se assemelha ao time do ABC Paulista que, enquanto tinha financiamento da prefeitura e de empresas da região, foi um sucesso. Depois que a torneira fechou, é o que vimos em 2006, uma draga danada. Vamos esperar que os efeitos de uma futura mudança de gestão na prefeitura de Barueri podem provocar no clube, que, pelo que ouvi outro dia num comentário na imprensa, se trata de uma organização não-governamental (pode?), e que esperar finalizar definitivamente seu estádio em 2008 para 40 mil pessoas (com que dinheiro? ONG tem verba? Gera lucro?).

É preciso estar atento a tudo isso e ver, principalmente, o que está sendo feito com o dinheiro dos contribuintes de Barueri, e que futuro reserva a esta equipe. Lembram do Roma de Barueri, que ganhou uma Taça São Paulo e depois fechou naquela cidade? É, exemplos existem aos montes, é necessária cautela. De qualquer forma, parabéns para os atletas, que levaram o time à frente. Em especial o Luciano Gigante, um meia de pouco mais de um metro e meio, mas que tenho visto jogar há pelo menos 2 anos, quando atuava pelo Rio Claro, e sempre gostei do seu futebol atrevido. De resto, vamos torcer para que, num longo prazo, esse projeto seja uma coisa realmente séria.

Já para quem ficou na série C, não há consolo: o jeito é começar tudo de novo em 2007 e se estruturar melhor para alcançar o objetivo. Pior para o Bahia, que começou bem o campeonato, mas, no octogonal final, sucumbiu a seus desmandos e falhas internas, ficando em sexto lugar, com pífios 14 pontos, numa campanha medíocre, nada condizente com sua história. É preciso começar do zero e reformular tudo. A manifestação da torcida semana passada pode ser um bom início. Agora, é preciso que as mudanças sejam feitas de cima pra baixo, passando por todas as áreas, visando uma gestão profissional, caso contrário, tudo continuará como está.

Obs.: Texto publicado no Papo de Bola - O Site

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